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Em 08/03/2017 16h56, atualizado em 08/03/2017 17h27

Dia Internacional da Mulher: temos mesmo o que comemorar?

Blog da Redação

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Apesar das conquistas femininas nas últimas décadas, a violência contra a mulher persiste e assusta Por Lorraine Vilela Campos
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Nesta quarta-feira, 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Uma data que deveria ser lembrada apenas como uma homenagem às conquistas femininas ao longo de décadas nos alerta para um dado triste: a persistência da violência contra a mulher. 

O Brasil é o quinto país onde mais se mata mulheres. O dado faz parte da última edição do Mapa da Violência, registrando 4,8 assassinatos a cada 100 mil vítimas do sexo feminino, o que nos coloca em uma posição vergonhosa em um ranking que ninguém gostaria de estar. Vale lembrar que isso persiste mesmo com a existência da Lei Maria da Penha, legislação que tem avançado nos últimos anos. 

Leia também: O machismo e a cultura do estupro

Um dado preocupante do Mapa da Violência é a falta de proteção à mulher dentro da própria casa, independente da idade da vítima. De 4.762 assassinatos registrados em 2013, 50,3% vem de familiares, sendo mais da metade praticado pelos parceiros ou ex (namorados ou maridos). Esse número representa cerca de 13 feminicídios diários em um ano. 

Não só de homicídios consiste a violência dentro de casa ou vinda de conhecidos e familiares. As mulheres representam 89% das vítimas de agressões sexuais, 70% crianças e adolescentes, sendo que 70% dos agressores são pessoas de confiança da família. É preciso pensar de forma lógica e parar de culpar a vítima, não adianta tentar justificar uma barbaridade quando até crianças sofrem com isso, principalmente elas que moldam seu caráter a partir das referências dos adultos que as cercam. 

Insegurança

Infelizmente, ser mulher é se preocupar, ainda hoje, com o assédio moral e sexual. Entrar em lugares somente com homens assusta, andar na rua à noite dá medo e ouvir as famosas “cantadas” e palavras vulgares incomoda. A vulnerabilidade feminina é algo presente em diferentes culturas e a culpa não é da roupa que alguém usa ou o horário em que se está fora de casa, como parte da sociedade insiste em falar. Chamar a mulher de louca e atribuir esse fator à alterações hormonais ou por ciúme (como em alguns episódios retratados na mídia) é fácil, culpá-la por ser agredida, também. Difícil é entender que a reprodução das atitudes machistas machuca, mesmo que os danos não sejam visíveis fisicamente, já que também existe a violência psicológica.

A importância do Feminismo

Se você que lê esse artigo tem conhecimento sobre o papel do Feminismo na luta dos direitos das mulheres, já sabe do que falerei a seguir. Caso você esteja no grupo de pessoas que intitula o movimento como "Feminazi" e insiste em dizer que é mulher e não precisa dessa mobilização, saiba que há um equívoco nesse discurso. 


O Feminismo possibilitou a conquista de diversos direitos das mulheres

A possibilidade de fazer parte do mercado de trabalho; ser mãe e trabalhadora, tendo a segurança de poder engravidar e ter licença-maternidade e ainda assim saber que terá seu emprego após este período; poder votar; frequentar determinados lugares (antes tidos como masculinos); se divorciar e até mesmo assinar reportagens e artigos, caso seja jornalista (veículos já impediram que mulheres assinassem seus trabalhos, dando a autoria aos homens), saiba que tudo isso faz parte da luta das mulheres que um dia tomaram atitudes feministas, que foram às ruas, se reuniram com autoridades e dialogaram, fizeram greves e protestaram (algumas perdendo a vida por isso). 

Ser feminista ou reconhecer a importância do movimento não é querer tomar o lugar do homem na sociedade e nem rebaixá-lo, mas buscar direitos civis iguais; reconhecer que mulheres devem ganhar o mesmo salário que seus colegas do sexo masculino que desempenham a mesma função; ter a segurança para ir e vir como qualquer indivíduo e não ser recriminada por tomar a iniciativa, por ir atrás do que quer e não se contentar em esperar a atitude do outro; é admitir seu direito em sentir prazer, fugir da repressão sexual enfrentada por décadas e mais décadas; é poder dizer não e ser respeitada pela sua decisão, ao ser abordada por alguém, além de outros fatores. 

Respeitar o feminismo é ter respeito pelos direitos que as mulheres conquistaram até aqui e incentivar a busca pela quebra dos preconceitos e barreiras ainda existentes. Ser mulher é entender que outras mulheres lutam por uma ou mais causas, é defender a liberdade de ser e estar, é conquistar a igualdade enquanto cidadã, fugindo do mito da procura pela “superioridade”. 

Mulheres crescem com a ideia da rivalidade em relação às outras mulheres, o que só enfraquece a luta pelos nossos direitos e propaga os esteriótipos já enraizados em nossa cultura. Empatia é o que nos falta, se houvesse maior empatia entre os seres humanos, os conflitos seriam menores e o combate à violência mais presente. 

Para finalizar, é importante ressaltar que a violência contra a mulher pode ser denunciada por qualquer pessoa, não só pela vítima. Basta ligar 180 e fazer a denúncia de forma anônima. Não podemos fechar os olhos para a situação, estar em quinto lugar em um ranking desprezível não é orgulho para ninguém. 

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