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Em 06/06/2017 14h16, atualizado em 12/06/2017 15h00

A crise dos refugiados: onde está o respeito ao próximo?

Blog da Redação

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Pessoas que fogem de seu país de origem para sobreviver ainda têm que conviver com o preconceito diário Por Lorraine Vilela Campos
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Fugir para sobreviver, mesmo que os caminhos sejam incertos e não haja garantia de que a jornada chegue ao fim. Esta é a realidade de aproximadamente 60 milhões de pessoas que deixaram suas casas por causa de guerras, tragédias humanitárias, violação dos Direitos Humanos e crescimento da violência. 

Segundo a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), desse grande número de pessoas que saem de seu local de origem em busca de novas oportunidades, cerca de 15 milhões se encaixam na definição de refugiado. O refugiado é quem foge de seu país por perseguição ou guerra e busca refúgio em outro território.

Crise Humanitária

A pior crise humanitária dos últimos 70 anos, segundo a ACNUR, é causada pela Guerra na Síria. Estima-se que seja cerca de 5 milhões de refugiados sírios, os quais arriscam sua vida diariamente em busca de abrigo em diferentes países. 

A maior parte dos sírios procura refúgio na Turquia e no Líbano, mas nem sempre eles conseguem ser reconhecidos como refugiados. Quando há apoio do governo local, o refugiado tem seus direitos básicos atendidos e apoio para encontrar uma solução para permanência prolongada, como entrar no mercado de trabalho. 

Diversos países da Europa também são procurados pelos sírios que não conseguem refúgio em outro lugar. No entanto, a receptividade do velho continente não é das melhores, as fronteiras são perigosas e o destino de muitos é ficar em campos de refugiados. Nesses lugares, são precárias as condições de higiene e o acesso à água e a comida, tornando escassa a esperança em um futuro melhor. 

Mas não só os sírios buscam salvar suas vidas fugindo de conflitos. Afegãos, iraquianos, congoleses, senegaleses e angolanos integram grande parte dos refugiados que se arriscam diariamente pelos mares e estradas de diferentes países. 

Preconceito

A falta de informação gera o preconceito. Ligar atentados terroristas praticados por diferentes pessoas à entrada de refugiados em um país é sinal de ignorância e falta de empatia e solidariedade. O discurso de ódio faz mal para todos. 

Os refugiados, independente de sua origem, buscam lutar pela sobrevivência. É possível ver em documentários e na mídia em geral a luta de famílias, crianças órfãs e adultos que não veem outra saída a não ser deixar familiares para trás. 

O que os refugiados mais precisam é de ajuda, acolhimento, mas a realidade se mostra diferente em muitos lugares. O preconceito é disseminado livremente na internet, mitos como “vão roubar nossos empregos”, “são uma ameaça para a segurança do país” ou a falsa perspectiva que há sobre o domínio islâmico em países europeus só causam mais sofrimento na vida de quem busca abrigo. 

Brasil

No Brasil, os haitianos estão entre os que mais sofrem com o preconceito. Desde o terremoto que atingiu o Haiti em 2010, mais de 45 mil refugiados vieram ao país em busca de ajuda. Eles chegam com o visto humanitário e depois precisam regularizar a permanência para que possam obter os documentos necessários para atividades como estudo e trabalho. 

Como existe uma demora na regularização dos estrangeiros e os custos podem pesar no bolso de quem chega ao Brasil como refugiado, ainda é grande a quantidade de haitianos que permanecem no país na ilegalidade. Com isso, abrem-se as portas para que empresas os contratem por preços baixos e sem as mínimas condições de trabalho. Infelizmente, viver em condições desumanas tornou-se comum para quem não conta com apoio da sociedade e não tem para onde voltar. 

Acolhimento

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos refugiados que chegam ao Brasil, o país ainda é bastante procurado por quem procura ajuda. 

O Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), presidido pelo Ministério da Justiça, é responsável pela regularização de refugiados de diferentes países, dando para eles a possibilidade de viver legalmente no Brasil. 

Outro estímulo para os refugiados é a inserção no ensino superior. Instituições como as universidades federais de São Carlos (UFSCar), de Santa Maria (UFMS) e a Estadual de Goiás (UEG) têm realizado processos seletivos e programas de ingresso para estrangeiros em seus cursos de graduação. 

Programas focados no convívio social e no acolhimento aos refugiados também estão presentes entre os universitários. Na Universidade Federal de Goiás (UFG) existe o projeto “Be Welcome”, no qual os estudantes se voluntariam para ensinar português aos refugiados. 

No entanto, o apoio mais precioso no momento de dificuldade vem de cidadãos comuns, que se juntam em grupos e entidades sem fins lucrativos para dar teto, comida, carinho e ensino de algumas atividades aos refugiados, principalmente àqueles que vivem na ilegalidade. 

A importância da empatia

Não é possível que nós, enquanto cidadãos, tenhamos controle da situação política de um país em Guerra. Mas podemos nos colocar no lugar de quem larga tudo o que tem para trás e leva consigo apenas a esperança de sobreviver. 

Empatia! Sim, falta ao ser humano empatia para entender que as diferenças religiosas ou culturais não podem sobrepor o direito à vida. Fechar os olhos é fácil, difícil é lidar com o preconceito (inclusive as questões internas de cada um) e ajudar o próximo da forma como for possível. 

Informação ainda é a melhor saída para derrubar os preconceitos enraizados na sociedade. Se cada um se informar e ajudar da maneira que estiver ao alcance, vidas poderão ser mudadas aos poucos. 

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